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.Probióticos podem não ser eficazes

Problemas gastrointestinais são muito comuns e, dependendo do tipo, podem ser tratados por meio da alimentação ou com "medicamentos" chamados probióticos, compostos por micro-organismos vivos que, teoricamente, trazem benefícios ao corpo. Um exemplo bastante conhecido no Brasil é o Yakult, bebida japonesa que possui os famosos lactobacilos da espécie L. casei Shirota.

Quando um probiotico é ingerido, essas bactérias benéficas chegam ainda vivas no intestino, promovendo um aumento na flora intestinal e, consequentemente, amenizando problemas de saúde mais simples, como diarreia, e memso condições graves, como a colite (inflamação do intestino).

Entretanto, um estudo recente realizado em Israel pelo Instituto Weizmann de Ciência aponta que os probióticos podem, na verdade, causar um efeito reverso. Segundo matéria publicada pelo jornal britânico The Guardian, os cientistas israelenses descobriram que esse tipo de alimento ou medicamento pode provocar "distúrbios intestinais graves" em pessoas que tomam antibióticos.

Para comprovar o efeito indesejado, os pesquisadores, por meio de endoscopia e colonoscopia, avaliaram a flora intestinal de pacientes que estavam sendo tratados com antibióticos. As amostras foram recolhidas antes e depois dos voluntários ingerirem probióticos. Os remédios bactericidas são conhecidos por afetar os micro-organismos que vivem em nosso intestino. Porém, após a interrupção do tratamento com antibióticos, a flora intestinal tende a voltar ao normal.

O problema é que a pesquisa do Instituto Weizmann de Ciência verificou que os probióticos impediram que isso ocorresse. Ou seja, ao invés de contribuir para a recuperação da flora intestinal, acabaram causando outro problema. "Uma vez que os probióticos colonizaram o intestino, eles inibiram completamente o retorno do microbioma nativo que foi moficidado durante o tratamento com antibióticos", comenta o imunologista Eran Elinav, coordenador do estudo, em entrevista para o The Guardian.

Os cientistas israelenses chegaram a fazer outro teste: amostras de bactérias do intestino de alguns dos voluntários foram recolhidas antes da ingestão de antibióticos para, em seguida, serem inseridas de volta no organismo assim que o tratamento medicamentoso terminou e após a ingestão de probióticos. Neste caso, a flora intestinal se normalizou em poucos dias. Porém, Eran Elinav faz questão de ressaltar que esse procedimento não é o melhor caminho para corrigir o problema.

O coordenador da pesquisa alerta que são precisos novos testes para que o estudo se torne conclusivo. Ainda assim, ele acredita que os resultados obtidos já demonstram que os tratamentos atuais com probióticos merecem uma revisão. "Isso nos diz que os probióticos devem ser administrados de forma individualizada. Ou seja, cada caso deve ser avaliado cientificamente. De modo a aumentar as chances de trazer benefícios à saúde do paciente", afirma o cientista israelense ao The Guardian.




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